Ramires Racing Truck Team

Caminhão de rua tem peças ajustadas no SolidWorks e vai para as corridas da Fórmula Truck

Paulista de Sorocaba (SP), o piloto Vinícius Ramires tem uma trajetória das mais surpreendentes no automobilismo brasileiro. Depois de uma passagem de sucesso pelo mundo do kart, onde chegou a ser vice-campeão brasileiro em 2004, ele decidiu ingressar com muita garra e uma equipe própria - a Ramires Racing Truck Team - na Fórmula Truck, categoria que começou oficialmente em 1996 e que já é uma das mais populares do país.

Clique para ampliarA ousadia deu certo. Um ano depois, em 2006, já era vice-líder do campeonato, chegando a vencer duas etapas. Para o piloto, foi um salto e tanto, mesmo considerando alguma familiaridade com o ramo (sua família tem uma concessionária de caminhões Mercedes Benz na região de Sorocaba há 40 anos, e desde 2006 a fabricante alemã é parceira da equipe). “O fato de já ser piloto não melhorou muito a minha situação quando comecei na F-Truck. Troquei um veículo de 180 quilos, piloto incluído, e que chegava a no máximo 140 km/h, por uma cabine de 4 toneladas e meia, capaz de chegar a 237 km/h. É uma diferença e tanto”, explica.

O caso é que, comparado a um caminhão de rua, o modelo de competição é radicalmente diferente. “Um caminhão de série tem cerca de 440 cavalos, enquanto o nosso tem 1.300. Além disso, a cabine e a suspensão são totalmente reconstruídas. Só as longarinas (viga longitudinal que sustenta o veículo) e as relações de marcha-câmbio são originais”, detalha Ramires, que ressalta que, na corrida, usa mais as marchas mais altas.

É nessa tarefa de redesenho geral que entra o software de CAD SolidWorks, da Dassault Systèmes. Velho conhecido do engenheiro da equipe, que já o utilizava
desde os tempos de faculdade, o aplicativo estreou na temporada de 2009 da Ramires Racing como um poderoso auxiliar no projeto de peças para suspensão e chassi. “Usamos o SolidWorks para realizar ensaios com variações de torção e para o estudo de forças aplicadas às peças”, conta o piloto.

Para Ramires, trata-se de um projeto pioneiro. “A Fórmula Truck é uma das poucas que são abertas à inovação, e com o SolidWorks sinto que começamos a ganhar a corrida a partir do instante em que entramos na oficina”, acredita. Esse é, de fato, um dos principais diferenciais da F-Truck, pois em muitas categorias de automobilismo tanto o motor como o chassi é padronizado. Para ele, o uso de um software avançado como o SolidWorks em uma equipe de competição pode substituir com vantagens a prática, predominante em muitas equipes, de projetos de concepção artesanal. Com o SolidWorks, os engenheiros podem aplicar seus conhecimentos e sua experiência de forma mais efetiva e com melhores resultados.

“Quando já se está na pista, as possibilidades de ajuste não são tão variadas. Pode-se acertar o amortecedor ou calibrar os pneus, mas não se vai mais longe que isso, na oficina é diferente. Podemos melhorar todas as características do veículo e, com os projetos e as simulações feitos no computador, conseguimos obter peças novas e soluções criativas com qualidade muito melhor”, diz.

Clique para ampliarOs ganhos aparecem também na planilha de custos. “Quando encomendamos a uma indústria uma peça projetada no SolidWorks, a usinagem é mais apurada, as perdas são reduzidas ao mínimo e o tempo gasto na elaboração é reduzido a um terço, ou seja, se esperávamos 30 dias, agora esperamos 10. Isso sem falar na qualidade, que é muito superior ao das peças artesanais. Quando o processo é feito com o SolidWorks, é só mandar produzir e colocar. Você vê a diferença”, comemora. “Desconheço quem faça isso na Fórmula Truck. Estamos saindo na frente.”

A SolidWorks é parceira da equipe por meio da revenda Assessocon, de Sorocaba, que oferece treinamento e presta auxílio em algumas aplicações especificas.

No decorrer do campeonato, a Ramires Racing pretende ampliar o uso do SolidWorks, utilizando-o também para projetar e testar, via simulação, peças e componentes do motor. “Por enquanto, no motor fazemos só a sintonia fina”, explica Ramires, que atualmente coordena a finalização de seu novo caminhão, de cor azul - o anterior, preto, foi destruído por um incêndio acidental na primeira etapa do campeonato deste ano. Os ajustes finais serão feitos com testes no autódromo de Curitiba, uma alternativa à agenda cheia da pista de interlagos. Lá, a equipe itinerante da Ramires Racing pretende validar as estratégias para repetir e até superar a boa marca de 2006. Se depender da tecnologia, será só questão de tempo.

Assessocon 2009 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Edson Nunes